27 de março de 2015

Resenha: A culpa é das estrelas

"Hazel Grace", é sempre a primeira coisa que me vem na cabeça quando o assunto é o livro/filme A culpa é das estrelas. Pois, é assim que Augustus sempre se dirige a ela.
      "Hazel Grace" - chega a criar sonoridade a voz dele na minha cabeça, mesmo antes do filme. Parecia que eu o ouvia dizer, era engraçado.

      A história desse livro tem como personagem principal a Hazel que, por obrigação dada pela mãe, vai a um grupo de ajuda as pessoas com câncer. Esse grupo se situa numa salinha dentro da Igreja e o orientador é um cara que já passou pela doença e conseguiu se curar - ou, pelo menos, ela não voltou mais. 
       Em uma das vezes que ela vai ao grupo (ainda obrigada) acaba conhecendo o Augustus e, a partir daí, a história se desenvolve e acontece.
       Não vou citar mais detalhes da história, porque senão vira spoiler - detesto isso.

       Prefiro falar do que achei.
       Ao passo que fui lendo a história de Hazel, fui criando uma consciência do mundo/da vida que até então não tinha parado para pensar. Parece um banho de água fria que eu tomei sem esperar.
       Hazel passa um perrengue com o pulmão de "araque" dela e a adolescência dela não passa nem perto de ser uma adolescência legal e divertida, cheia de histórias para contar e dar risada com os amigos. Por muitas vezes,  a duração de vida dela foi dado como curta (meses) e a esperança que ela e a família dela tinham, era baseado num milagre dos céus.
      Adolescência isso? Sem chances. E, se eu não estou enganada, nem para a escola, Hazel vai mais.
      Até ela conhecer o Augustus, a sua vida parecia apenas mais uma dentro de da estatística levantada pelo Governo sobre a expectativa de vida de alguém com câncer e, dentro dessa estatística, quais são os problemas que a pessoa passa e como é difícil a convivência em sociedade, ir em algum lugar ou se relacionar com alguém. 
     Afinal, ou a pessoa sente dó da Hazel (digo ela, como um todo), ou sente a vontade de ajudá-la como se fosse feita de cristal, ou - se for um menino - perde o interesse de se relacionar, pois quanto tempo ela terá de vida? Qual o trabalho que se tem por namorar alguém assim...que precisa andar com um oxigênio num carrinho para cima e para baixo, sofrendo vez e outra com falta de ar e podendo fazer pouco esforço para tudo?
     Quando pensei em tudo isso, foi um tremendo banho de água fria, literalmente. Cheguei na conclusão de que não importa o quanto eu reclame de meus problemas fúteis como meu cabelo não está tão liso quanto gostaria, como fiquei brava de não ter ido a uma festa que estavam todos os meus amigos, por que não tenho olhos claros ou sou mais alta.
     Nada vezes nada de meus problemas se comparam ao de Hazel, não deveriam nem ser levantados como reclamação ou motivo de mal humor para o meu dia. Definitivamente não.
     Quando Augustus entrou na vida de Hazel e o romance acontece gradualmente, eu percebi que a adolescência dela melhoraria e ela teria histórias para contar e alguém muito incrível para compartilhar - sem contar quão bonito ele me parece ser e como o amor dele por ela pode colorir uma história que era preto e branco, da noite para o dia.
      Eu me senti realizada pela Grace.
     
      Augustus se torna um personagem chave, com um perfil que sensibiliza quem lê, emociona outros e cria muita expectativa em todos. 
      Ele é um garoto que se diverte como qualquer adolescente da idade dele, mas tem consciência do valor da vida e do presente, do sentimento e das pessoas. Algo muito difícil para um adolescente e ele é a exceção. 
      Em nenhum momento, ele reduz a Grace a alguém fadada para um futuro certo ou se mortifica pelo mundo ser como é e provocar tais agressões em pessoas que não merecem esses danos, de viverem na linha de tiro. Sua visão vai além desse ciclo vicioso que algumas pessoas se apegam tanto. Ele traz um novo sentido para a vida dela.
      Sempre com aquela entonação de "Hazel Grace", ele me conquistou e acabei torcendo mais pela história dos dois. Bem mais. Quase montei uma torcida organizada. rs
     O romance dele cai bem num verso da música de Lucas Lucco - Mozão: 
   "...vamos fazer assim, eu cuido de você
    você cuida de mim.
    Não desisto de você e nem você de mim,
    vamos fazer assim."

     Porém, não chorei como muitas pessoas que eu leram e derramaram baldes de lágrimas. Não. Fiquei emocionada, chateada, compartilhei sentimentos com eles desde alegria à tristeza, mas não chorei.
     Acho que sou mais fácil de chorar com outro tipo de literatura.

     Mas, A culpa das estrelas é um livro digno para muitas pessoas lerem, desde adolescentes a adultos. É uma narrativa que faz todo mundo repensar a própria vida e o valor que se dá a ela e as pessoas ao redor.
     Porque o futuro, realmente, não é tão importante assim.

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