Eu já percebi que a Bertrand se apoia bastante em livros
sérios e com Winkie não seria diferente. Acredito que muitas pessoas que leram
e não gostaram foi por esse motivo: foram lê-lo com uma intenção e descobriram
que a ideia era outra.
Mas, como já conheço a Editora, dediquei minha atenção ao
livro pela seriedade que a história queria transmitir e em como ficar triste ou
feliz por alguém de modo real - não ficto, como qualquer livro de ficção.
Winkie é um urso e cria vida ficta? Claro, não conheço
nenhum urso que criou vida de verdade. Mas e se seu urso preferido, esquecido
em sua estante cria-se vida? O que você acha que ele falaria para você? Pense
que ele se lembrará de tudo.
É com essa narrativa que Clifford nos traz essa história. O
que um urso que passou em duas gerações numa família tem a dizer sobre ela.
Todas as alegrias, frustrações, saudades, carências e, acima de tudo, o amor
que ele sentiu ou desejou.
Não ser um urso de apenas uma dona que o levou consigo até a
fase adulta, acho que despertou uma certa racionalidade nele. Pois, um dia era
da filha, no outro dia de seu filho, e de um filho para o outro. Como uma
criança órfã que não se adequa em nenhuma residência e em cada momento,
compartilha seu tempo de vida com uma nova pessoa. Trazendo para ela uma
sensação de não ser de todos e de ninguém ao mesmo tempo.
Winkie é isso.
Parece um espectro de Toy Storie, em contrapartida, ainda
não abandonado pela família numa cesta de doações, mas muito próximo disso já.
Ele se cansou e decidiu fugir.
Quando é preso e interrogado, não consegui imaginar por que,
qual crime teria feito, por mais que todos apontassem o dedo em sua direção
acusando-o de diversos crimes. Esse é o suspense do livro. O que não soube
sobre o Winkie que está sendo mostrado agora?
Mas, no decorrer da história até o seu final, as peças vão
se encaixando e você acaba chegando na conclusão e respondendo todas as dúvidas
que tinha a princípio.
Fico pensando nos brinquedos que já abandonei, se eles
ficaram muito chateados com meu egoísmo ou se encontraram alguém que valeu mais
a pena.
Entretanto, o meu boneco favorito (Pingo) que sempre dormiu
comigo desde meus 4 anos, está sempre ali. Às vezes, cai da cama, eu brigo,
pego de volta, dou banho, arrumo uma roupa para esconder as imperfeições que o
tempo faz em seu corpo plástico e o levo para viajar.
Acho que ele pode até ter uma raivinha de mim de quando o
abandonei na adolescência, mas espero que tenha me perdoado quando o peguei de
volta e o levo comigo para onde vou agora.
Recomendo a todos esse livro!

Legal! Achei super interessante!
ResponderExcluirVou procurar ler!
Bjo!