14 de novembro de 2015

Winkie - Clifford Chase







Eu já percebi que a Bertrand se apoia bastante em livros sérios e com Winkie não seria diferente. Acredito que muitas pessoas que leram e não gostaram foi por esse motivo: foram lê-lo com uma intenção e descobriram que a ideia era outra.
Mas, como já conheço a Editora, dediquei minha atenção ao livro pela seriedade que a história queria transmitir e em como ficar triste ou feliz por alguém de modo real - não ficto, como qualquer livro de ficção.
Winkie é um urso e cria vida ficta? Claro, não conheço nenhum urso que criou vida de verdade. Mas e se seu urso preferido, esquecido em sua estante cria-se vida? O que você acha que ele falaria para você? Pense que ele se lembrará de tudo.
É com essa narrativa que Clifford nos traz essa história. O que um urso que passou em duas gerações numa família tem a dizer sobre ela. Todas as alegrias, frustrações, saudades, carências e, acima de tudo, o amor que ele sentiu ou desejou.
Não ser um urso de apenas uma dona que o levou consigo até a fase adulta, acho que despertou uma certa racionalidade nele. Pois, um dia era da filha, no outro dia de seu filho, e de um filho para o outro. Como uma criança órfã que não se adequa em nenhuma residência e em cada momento, compartilha seu tempo de vida com uma nova pessoa. Trazendo para ela uma sensação de não ser de todos e de ninguém ao mesmo tempo.
Winkie é isso.
Parece um espectro de Toy Storie, em contrapartida, ainda não abandonado pela família numa cesta de doações, mas muito próximo disso já.
Ele se cansou e decidiu fugir.
Quando é preso e interrogado, não consegui imaginar por que, qual crime teria feito, por mais que todos apontassem o dedo em sua direção acusando-o de diversos crimes. Esse é o suspense do livro. O que não soube sobre o Winkie que está sendo mostrado agora?
Mas, no decorrer da história até o seu final, as peças vão se encaixando e você acaba chegando na conclusão e respondendo todas as dúvidas que tinha a princípio.
Fico pensando nos brinquedos que já abandonei, se eles ficaram muito chateados com meu egoísmo ou se encontraram alguém que valeu mais a pena.
Entretanto, o meu boneco favorito (Pingo) que sempre dormiu comigo desde meus 4 anos, está sempre ali. Às vezes, cai da cama, eu brigo, pego de volta, dou banho, arrumo uma roupa para esconder as imperfeições que o tempo faz em seu corpo plástico e o levo para viajar.
Acho que ele pode até ter uma raivinha de mim de quando o abandonei na adolescência, mas espero que tenha me perdoado quando o peguei de volta e o levo comigo para onde vou agora.

Recomendo a todos esse livro!