6 de abril de 2015

Resenha: Bel-Ami


Eu sempre tive uma visão que o Realismo era algo escrachado, vil e vulgar. A escória da sociedade apresentada a todos pelas mãos de Aluísio de Azevedo. 
De Bel-Ami, esperava um jovem pobre querendo ascender à alta sociedade, utilizando-se dos artifícios mais sórdidos e beneficiando-se deles pelo jeito mais escancarado possível.

Só que não é assim.


O Realismo francês me surpreendeu.
Guy de Maupassant disserta de maneira sutil e a sua narrativa vai "num crescendo". Como um conta-gotas, nós vamos descobrindo quem é o Bel-Ami e como a ambição vai corrompendo-o, decompondo-o como o despir de uma donzela de sua época.
Georges, seu verdadeiro nome, é um jovem que após cumprir seu serviço militar, sofre com o pouco salário que recebe e se sente incerto sobre o futuro de sua vida contando cada moedinha que ganha.
Até então, eu o tinha percebido como um jovem humilde e sem muita perspectiva, sentia pena de sua situação nada fácil. Mas, ao passo que Georges percebe que sua beleza o beneficia entre as mulheres da sociedade, eu consigo perceber o Realismo sutilmente apresentando-se na narrativa. 
Sem vulgaridades, obscenidades ou imperfeições, o autor nos mostra como as fragilidades do ser podem se tornar as chaves mestras para deturpar toda uma pessoa ou personagem. Digo dessa forma, pois é fato que histórias como essa fogem da literatura para a vida real facilmente.
Bel-Ami é apenas mais um conquistador em busca de seu próprio benefício, independente dos artifícios que precisará usar para alcançá-lo.

Um homem jovem e bonito que traz declarações e prazeres às jovens e mulheres da sociedade que pouco sabem sobre os jogos de poder e pessoas ardilosas. Mulheres que vivem sob o regimento machista e passam a vida pensando apenas em vestidos e casamentos, podendo cair facilmente nas mãos de um ser tão encantador e oportunista.

Recomendo, claro e evidente.